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O Método Abdominal Hipopressivo vem ganhando espaço na atuação da Fisioterapia e no mundo Fitness com a promessa de inúmeros benefícios, principalmente no tratamento das disfunções do assoalho pélvico, diminuir a barriga e afinar a cintura.

Trata-se de uma técnica de tratamento e condicionamento que consiste em trabalhar posturas sustentadas por meio do trabalho da respiração em baixo volume corrente, apnéias e aspiração diafragmática. Alguns estudos mostram que esses exercícios diminuem a pressão intra-abdominal e sua ação principalmente nos músculos da parede abdominal e do assoalho pélvico, justificam a sua projeção no tratamento e prevenção das disfunções perineais em mulheres, especialmente no pós-parto.

Técnica originalmente criada pelo Doutor Marcel Caufriez. Há relatos que a manobra de aspiração diafragmática, a chamada de “vacum”, já era realizada por praticantes do Yoga com objetivos espirituais e no mundo do fisiculturismo com objetivo estético.

Hoje, o Método Abdominal Hipopressivo é cada vez mais utilizado no rendimento esportivo pela eficiência no trabalho da faixa abdominal. Por existir poucos estudos e evidências na atualidade, será que o Método realmente proporciona estes resultados?

Leia este texto e confira os principais mitos e verdades do Método Abdominal Hipopressivo!

Mito ou verdade 1: O Método Abdominal Hipopressivo é capaz de gerar a tão sonhada barriga definida ou negativa?

Depende! Antes de mais nada, temos que entender que para conseguirmos a tão famosa barriga “chapada” a composição corporal de cada indivíduo influencia nesta conquista, ou seja, diminuir o percentual de gordura da região, com baixa ingestão de calorias, além do trabalho de tonificação da faixa abdominal é de extrema importância para um resultado positivo.

A principal via ativada pela Ginástica Hipopressiva é Sistema Nervoso Autônomo Simpático, ativando a medula adrenal que estimula as catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), aumentando a frequência cardíaca e a circulação dos músculos esqueléticos aumentando a disponibilidade de energia e consequentemente o metabolismo. Por essa razão, a prática da Ginástica Hipopressiva, aliada a uma alimentação saudável, é capaz de diminuir a perimetria da cintura e abdômen

Outra característica importante para o trabalho da barriga negativa é que através da diminuição da pressão intra-abdominal, ocorre a contração e ativação das fibras musculares estriadas no nível dos músculos do assoalho pélvico e da faixa abdominal, principalmente dos músculos transversos do abdômen. Alguns estudos eletromiográficos mostraram que a contração dos demais músculos que compõem a faixa abdominal ocorre devido às conexões faciais em toda a parede abdominal. Portanto, o Método Abdominal Hipopressivo é muito eficaz no fortalecimento dos músculos abdominais.

Mito ou verdade 2: Ginástica Abdominal Hipopressiva e Yoga são parecidos?

Mito. Apesar de ambas as técnicas possuírem um objetivo em comum, o relaxamento, normalização do tônus diafragmático e massagem visceral, são propostas totalmente distintas.

O Yoga é uma filosofia milenar e acredita-se que os primeiros relatos da prática do “vacum” tenham iniciado com esta prática. A técnica de aspiração diafragmática é utilizada na prática do Yoga há milhares de anos com objetivos terapêuticos e mentais. A sucção do abdômen elevando o tórax e o diafragma, empurrando as vísceras para trás exerce uma grande influência na parte energética e espiritual.

A Ginástica Abdominal Hipopressiva, por sua vez, é uma prática de REABILITAÇÃO e CONDICIONAMENTO FÍSICO que trabalham posturas e a técnica respiratória específica, com o objetivo do fortalecimento da faixa abdominal e do assoalho pélvico, sendo utilizado para o tratamento de disfunções perineais. Portanto, as duas modalidades não são parecidas!

Mito ou verdade 3: O Método Abdominal Hipopressivo melhora a constipação intestinal?

Verdade! Observe sua respiração neste exato momento e sinta para onde você direciona o ar. Você sabia que uma respiração inadequada pode deixar seu intestino preguiçoso? Antes de entender como os exercícios hipopressivos podem auxiliar no trânsito intestinal, vamos entender a influência da respiração em todo este contexto.

A mecânica respiratória compreende duas etapas principais: inspiração-expiração e cada fase ocorre por diferença de pressão modificando assim, o volume da caixa torácica. Quando a pressão atmosférica está maior que a pressão dos pulmões, ocorre a inalação do ar (inspiração) até o momento em que as pressões se invertem ocorrendo a saída do ar (expiração).

O diafragma tem um papel muito importante em todas as fases respiratórias justificado pela sua anatomia e biomecânica.

Na inspiração, conforme aumenta as pressões dentro dos pulmões, o diafragma desce, aumentando a pressão intra-abdominal e juntamente com ele todas as vísceras abdominais se acomodam. Na expiração, conforme as pressões nos pulmões diminuem, o diafragma sobe e com auxílio dos músculos abdominais realizam a contenção visceral.

Devido a motilidade do músculos diafragmático exercer sobre as vísceras, ocorre então, uma massagem no mesocólon transverso do intestino auxiliando na mobilidade intestinal e prevenindo prisões de ventre.

Mito ou verdade 4: O Método Abdominal Hipopressivo melhora as dores na coluna?

Verdade. As dores na coluna se tornaram muito frequentes na população geral, principalmente as dores na região lombar. Estudos apontam que cerca de 90% das pessoas terão pelo menos um episódio de dor nas costas e isto representa um grande impacto socioeconômico e problema de saúde pública.

O Método Abdominal Hipopressivo através do trabalho postural e respiratório, trabalha a tonificação dos músculos do tronco, principalmente transverso do abdômen e assoalho pélvico além de conseguir a normalização das tensões intrínsecas de todas as estruturas músculoaponeuroticas antagonistas, ou seja, as cadeias musculares.

Resultado? Melhor postura, maior fortalecimento da musculatura estabilizadora e diminuição das dores na coluna.

Mito ou verdade 5: O Método Abdominal Hipopressivo trata a diástase?

Verdade. Quando se fala em diástase, logo pensamos na gestação e no pós-parto. Entenda que a diástase durante o período gestacional é normal e fisiológico, pois é graças a separação dos retos do abdômen que o bebê se acomoda no útero com o avançar das semanas.

Contudo, após o parto, o corpo vai encontrando estratégias para retomar a homeostase (equilíbrio), bem como o fechamento desta diástase. O que ocorre muitas vezes é que o indivíduo não possui uma faixa abdominal competente (não executa a sua função fisiológica), encontra-se com uma pressão intra-abdominal (PIA) aumentada e ainda com alteração no tônus do diafragma.

E como funciona este mecanismo fisiológico? Na inspiração o diafragma se contrai descendo e aumentando a PIA, juntamente com a contração dos músculos largos para a estabilização da coluna. Na expiração, o diafragma relaxa subindo fazendo com que a PIA diminua, então se houver PIA aumentada e músculos com alteração de tônus, o indivíduo gerará a médio prazo as diástases.

Os exercícios hipopressivos, além de tonificar a faixa abdominal e o assoalho pélvico, normalizando o tônus do diafragma, ele retira essa pressão da cavidade abdominal, fazendo com que os músculos largos voltem a exercer sua função fisiológica, auxiliando no fechamento da diástase.

Mito ou verdade 6: Realizar exercícios hipopressivos são perigosos?

Depende. Para a maioria das pessoas, a técnica tem oferecido vários benefícios, porém, existem algumas pessoas que são contraindicadas para realizar a prática:

  • Hipertensos: A principal via neural ativada durante as técnicas hipopressóricas é o sistema nervoso simpático explicado pelas posturas sustentadas e a técnica respiratória com apnéias e sequências de sucções diafragmáticas. As apnéias estimuladas durante os exercícios hipopressivos aumentam a pressão cardíaca diastólica sendo um risco para indivíduos que são hipertensos. Outra característica do Método são as posturas sustentadas que aumentam a resistência vascular periférica (RVP), sobrecarregando o lado esquerdo do coração. Por esses dois pontos, a ginástica hipopressiva para hipertensos é uma contraindicação ABSOLUTA;
  • Síndrome de Crohn: A Doença de Crohn é uma doença crônica inflamatória do trato gastrointestinal que afeta a parte inferior do intestino delgado e intestino grosso. Os sintomas comuns são diarréia, cólica abdominal, às vezes febre, sangramento do reto, perda de apetite e peso corporal. Assim, a contraindicação é ABSOLUTA pois, assim como outras doenças inflamatórias intestinais, é contraindicado realizar a ginástica pelas alterações que o metabolismo pode ter, o que favorece o processo inflamatório e piora o quadro clínico;
  • Síndrome vasovagal: Consiste em uma ativação inapropriada do nervo vago (Sistema Nervoso Parassimpático) que faz com que ocorra lentidão para a chegada do fluxo sanguíneo ao cérebro e coração, provocando diminuição dos batimentos cardíacos e pressão arterial e consequentemente a perda transitória da consciência. Portanto, é uma contraindicação ABSOLUTA por ser uma técnica que ativa o sistema parassimpático e isto pode acarretar em prejuízos e riscos ao indivíduo.

Conclusão 

Por todo este contexto, percebemos que o Método Abdominal Hipopressivo é muito mais que uma barriga negativa: é um Método de tratamento fantástico que oferece grandes benefícios desde que seja aplicada de forma correta. Um profissional formado no Método, saberá identificar as necessidades de cada indivíduo, bem como organizar um plano de tratamento adequado.

Lembre-se que um ótimo resultado se conquista com muita disciplina, dedicação e acima de tudo conhecimento profundo do Método!

 

Referências Bibliográficas 

1.FÉLIX,T.F;GARDENGHI,G.O efeito da ginástica abdominal hipopressiva em patologias da coluna vertebral The effect of hipopressive abdominal gymnastics on spinal pathologies (ARTIGO DE REVISÃO)

2.Ruiz de Viñaspre Hernández R. Efficacy of hypopressive abdominal gymnastics in rehabilitating the pelvic floor of women: A systematic review. Actas Urol Esp (Engl Ed). 2018 Nov;42(9):557-566. English, Spanish. doi: 10.1016/j.acuro.2017.10.004. Epub 2017 Dec 14. PMID: 29248338.

3.Navarro-Brazález B, Prieto-Gómez V, Prieto-Merino D, Sánchez-Sánchez B, McLean L, Torres-Lacomba M. Effectiveness of Hypopressive Exercises in Women with Pelvic Floor Dysfunction: A Randomised Controlled Trial. J Clin Med. 2020 Apr 17;9(4):1149. doi: 10.3390/jcm9041149. PMID: 32316686; PMCID: PMC7230910.

4.Navarro Brazález B, Sánchez Sánchez B, Prieto Gómez V, De La Villa Polo P, McLean L, Torres Lacomba M. Pelvic floor and abdominal muscle responses during hypopressive exercises in women with pelvic floor dysfunction. Neurourol Urodyn. 2020 Feb;39(2):793-803. doi: 10.1002/nau.24284. Epub 2020 Jan 27. PMID: 31985114.

5.Da Cuña-Carrera I, Alonso-Calvete A, Soto-González M, Lantarón-Caeiro EM. How Do the Abdominal Muscles Change during Hypopressive Exercise? Medicina (Kaunas). 2021 Jul 9;57(7):702. doi: 10.3390/medicina57070702. PMID: 34356983; PMCID: PMC8305934.